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CAPITAIN NOVOLIN: UM LEGADO DA NINTENDO QUE NEM TODO MUNDO SABE!

Sabia que a Nintendo, no auge das suas vendas, lançou um game para educar e ensinar pessoas sobre diabetes? Parece estranho para você? Mas é isso mesmo, muitos podem desconhecer o legado desses jogos educativos, seus principais propósitos e se estes foram realmente correspondidos.


Captain Novolin faz parte de uma série de jogos de gênero educacional publicada para o console Super Nintendo que incluía outros como Packy e Marlon, Bronchie the Bronchiassaurus e Rex Ronan: Experimental Surgeon.


Informações básicas sobre o jogo

Desenvolvedora: Scupted Software

Edição: Raya Systems

Gênero: Educacional, ação

Ano de lançamento: 1992


Mas por que Capitain Novolin?

Tudo começou com a parceria entre duas grandes empresas, a Raya Systems a e a Novo Nordisk. À frente da Raya Systems, Steve Brown foi um importante colaborador e incentivador do jogo que, por já trabalhar na produção de aplicativos para empresas do ramo médico, viu a necessidade de se criar uma ferramenta de aprendizagem que juntasse diversão e informações médicas importantes para a saúde de crianças. Ao receberem ajuda do Instituto Nacional de Saúde, criaram o jogo digital para ser jogado por meio do Super Nintendo, o console que era uma febre na época e que todos queriam ter. Com interesses na comercialização do jogo, ele foi batizado de Captain Novolin (Capitão Novolin) em referência à marca de insulina que a empresa Novo Nordisk era responsável no mercado e, mesmo já sendo bem reconhecida no ramo farmacêutico, Captain Novolin seria uma ótima alternativa para a empresa lucrar bastante, principalmente com criancinhas diabéticas. Diante dessa estratégia, em tentar unir o entretenimento por meio de um jogo digital e as necessidades de uma pessoa diabética, as propagandas começaram a divulgar o game para o público (confira abaixo).


“O diabetes está prestes a encontrar seu par. O capitão Novolin da Raya Systems (com sede em Mountain View, CA) é um jogo SNES, que é estrelado por um super-herói com diabetes. Neste jogo de ação / aventura de visão lateral e rolagem horizontal, o Capitão luta contra invasores alienígenas açucarados, como Cola Creep e Blubberman. Seu objetivo é resgatar o prefeito, que também tem diabetes. Enquanto ele luta, os jogadores devem ajudá-lo a controlar sua doença, garantindo que ele tome injeções para diabetes e observe o nível de açúcar no sangue” (trecho traduzido da revista GamePro- Setembro, 1992).


O jogo trouxe algo de diferente para os jogadores e para o mercado. Ele era educativo, ensinava os cuidados básicos no controle da diabetes de modo a incentivar a autogestão de pessoas que tinham a doença. O famoso capitão novolin na sua missão de salvar o prefeito da cidade num período de 48 horas, incorpora um personagem com diabetes mellitus, também conhecida como diabetes tipo 1 ou insulinodependenete, em que vez ou outra se faz necessário tomar algumas doses de insulina para se manter saudável. Então, baseando-se nesses objetivos, várias cópias do game, cerca de dez mil, foram distribuidas em clinicas hospitalares de maneira gratuita para crianças que tinham a doença. Como você pode notar, a proposta do game era muito boa, mesmo que por trás existisse o interesse de lucrar com as vendas de insulina pelas empresas que o idealizaram.


O jogo foi um sucesso ou um fracasso?

Antes de começar essa discussão, pense: o que um super herói precisa ter para chamar sua atenção? Será se o herói Captain Novolin tem essas características?


Em análises feitas por alguns especialistas em jogos digitais, foi constatado que o game educativo poderia ter se saído melhor no quesito jogabilidade. Por isso ele é alvo de críticas, não em relação ao conteúdo explorado dentro da sua narrativa, mas pela falta de elementos que o tornaria não só educativo, mas também divertido. Apesar dos amantes de games apontarem essas brechas sobre o jogo em si, é inegável que ele trouxe sim, suas contribuições na saúde de criaças e adolescentes. Capitain Novolin ajudou, e muito, nesse tipo de tratamento, em que se exigem cuidados redobrados, principalmente em relação à alimentação sobre o que comer durante o dia a dia quando se tem diabetes.


Quem tinha a condição de diabético e levou o game para casa, percebeu o quanto sua relação com a doença melhorou e isso refletiu até mesmo em uma diminuição do número de internações em hospitais. Assim, além de ter informações seguras, o jogo permitia a interação com a família e amigos. Confira abaixo o relato de uma menina diabética de doze anos de idade que jogou captain novolin.


“Ajuda-me a entender quais alimentos devo comer e o que evitar; caso contrário meu nível de açúcar no sangue aumenta e posso ficar doente. Eu posso ir mais rápido com o jogo, enquanto os médicos conversam e conversam. [...] É uma maneira mais fácil de trazer o assunto para um amigo que não tem diabetes. Você pode dizer: ‘Ei, você quer jogar um jogo onde possa aprender sobre minha condição?’” (trecho traduzido da revista Wired, 1993).


Entendendo um pouco mais sobre a temática diabetes por meio do jogo

É provável que você conheça alguém, talvez até da sua própria família, que tenha diabetes. Apesar de ser uma doença hereditária, ou seja, herdada de geração em geração, há tratamentos. Um deles consiste em aplicações de doses de insulina no corpo, fazendo com que regule os níveis de glicose no sangue. Mas não pense que esse hormônio sempre esteve disponível para na sociedade. Muito antes, a insulina era retirada do pâncreas de bovinos e suínos, isso era possível porque esse hormônio possui grandes similaridades fisiológicas com o do ser humano. Porém, através dos avanços da Engenharia genética e dos estudos sobre DNA recombinante, hoje em dia a insulina já é sintetizada em laboratórios com técnicas que permitem uma maior eficiência no tratamento de pessoas acometidas de diabetes.


Sobre a temática, podemos entender que se trata de uma doença provocada pela baixa produção de insulina ou ainda por uma deficiência que faz com que ela não seja produzida em condições normais pelos indivíduos. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, responsável por manter em equilíbrio as taxas de glicose (açúcar) na corrente sanguínea e dentro das nossas células. Para que isso aconteça é necessário que a insulina quebre as moléculas de glicose (C6H12O6) e, assim, estas possam ser aproveitadas por todas as células do nosso corpo na produção de energia. Em outras palavras, a insulina seria a “chave” que abre a “porta” da célula e permite que a quantidade necessária de glicose entre, e uma outra parte permaneça dissolvida do lado de fora da nossa célula (veja o esquema abaixo).




Fonte: <www.clinicaq.com.br>.


Em relação à glicose, encontramos essas moléculas associadas a um grupo de carboidratos simples (monossacarídeos) e está presente em diversos alimentos que consumimos no dia a dia, como por exemplo, em pães, bolos, cereais, frutas, arroz, etc. São alimentos desse tipo que o herói Novolin precisa estar atento nas suas refeições, já que sua glicose precisa estar dentro de uma faixa segura, pois não devemos esquecer que esse é um cuidado que os diabéticos precisam ter ao se alimentarem. De maneira análoga, a glicose presente nesses alimentos seria como um combustível que faz um carro andar, nesse caso o seu corpo, sem ela não teríamos energia, por exemplo, para correr, estudar, trabalhar e, inclusive, salvar o prefeito da cidade que está em apuros.


E agora? Fez sentido o fato de o herói captain novolin ter que controlar sua alimentação e ficar usando insulina durante o jogo? Pois bem, ele é diabético e precisa ter esses cuidados assim como acontece na vida real.


Referências


LIEBERMAN, Debra A. Video games for diabetes self-management: examples and design strategies. Journal of diabetes science and technology, v. 6, n. 4, p. 802-806, 2012.https://en.wikipedia.org/wiki/Captain_Novolin

https://archive.org/details/GamePro_Issue_038_September_1992/page/n15/mode/2up

https://archive.org/stream/Nintendo_Power_Issue001 Issue127/Nintendo%20Power%20Issue%20055%20December%201993#page/n97/mode/2up/https://www.wired.com/1993/06/nintendo-healthcare/

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